
Os personagens do Natal e dos contos de fadas são fundamentais para o desenvolvimento das crianças pois alimentam suas fantasias.
Até os seis anos de idade, as crianças vivem uma fase em que predomina a percepção. Assim, quando lhe contamos uma história, ele acha que é real e tem a oportunidade de fantasiar essa realidade. Isso é muito importante porque fantasiar é sonhar, e uma pessoa só alcança objetivos se tiver sonhos e só os terá se tiver vivenciado essa experiência durante sua infância.
Nossa realidade é muito instável e exige uma rápida adaptação da criança. Essas fantasias fortalecem essa capacidade para enfrentar instabilidades.
Para desenvolver a segurança emocional, os pais precisam não só dar afeto, mas também aceitar e acolher suas dificuldades. Os contos de fadas e mitos falam claramente dos medos, dos conflitos que, na verdade, são os mesmos que as crianças sentem. A criança que não tem a oportunidade de acreditar em Papai Noel ou que descobre abruptamente que ele não existe, fica privada de sonhar e de experimentar a sensibilidade, a emoção.
Quando a necessidade de pensar de forma mágica é reprimida, ela não desaparece, apenas fica retida. O resultado é que a criança pode tornar-se um adulto mais cético e que não sabe expressar seus sentimentos.
Segundo Jung, cada figura dos contos de fadas representa algo, tem uma simbologia. O Papai Noel, por exemplo, representa o nascimento.
O Natal conta ainda com outros símbolos importantes: o nascimento do menino Jesus, por exemplo. Para a criança o menino Jesus não é um ser divino, ele é um bebê no presépio, e quando elas observam os adultos comemorando seu nascimento, entendem que os adultos à sua volta gostam de crianças.
E o presente? Ele significa que a criança foi lembrada. Para a criança pequena, o Papai Noel é o responsável pelos presentes e, por isso, ele atenua algumas decepções das crianças em relação aos pais, já que se os pais não podem dar aquilo que a criança quer, o “culpado” por ter errado o presente é o Papai Noel.
O Natal ensina a criança a ser generosa, por isso é importante que ela participe de todos os preparativos.
E quando contar que Papai Noel não existe? É a criança quem determina esse momento de descoberta. A partir dos 7 anos, a criança começa a sair da fase egocêntrica, tem amiguinhos, expande sua vida social e também entra numa fase em que sobressai o campo da lógica e, por isso, começa a questionar. Os pais devem responder naturalmente, mas sem revelar antes da hora. Em um desenvolvimento natural, o pensamento mágico entra em declínio lentamente à medida em que fica cada vez mais forte o pensamento racional.