Publicado em: 13 de setembro de 2025

Perturbada. Essa é a melhor definição para descrever como saí do cinema este mês após assistir ao filme Coringa. É um filme complexo, pesado, duro, mas sutil. Me trouxe diversos questionamentos. Não conseguirei abordar toda sua complexidade nesse espaço, mas gostaria de discutir os transtornos mentais (depois de dizer que o Joaquin Phoenix merece o Oscar).

A frase mais divulgada do filme é: “A pior parte de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não tivesse”. É isso. Transtorno Mental não é algo que a pessoa escolhe ter. Ela tem. É genético, é sofrido e muitos sofrem preconceito por estar nessa condição. Por isso, não buscam ajuda. Permanecem calados, em seu sofrimento por medo de serem ainda mais rejeitados e marginalizados.

Coringa mostra muito o resultado dessa genética combinada com os fatores ambientais desde sua infância. Condição socioeconômica desfavorável, o que dificulta não apenas o acesso à saúde, mas à informação adequada; alicerce familiar frágil, com uma mãe também sofrendo de transtornos mentais e nenhum outro familiar capaz de lhe dar apoio; suporte social precário, sem amigos, sem ter com quem conversar, sofrendo bullying.

Assusta ver o resultado disso, mas os transtornos mentais são cada vez mais comuns. Não porque se tem feito mais diagnósticos, não porque se tem mais informações a respeito (até porque o preconceito continua muito forte a respeito de cuidar da saúde mental), mas porque a sociedade atual traz cada vez mais fatores de risco: correria da vida diária que não nos dá tempo para descansar, competitividade na escola, no trabalho, na vizinhança , aumento dos degraus sociais, redes sociais onde todos são muito felizes o tempo todo e não têm problemas e as relações sociais, que dão o suporte necessário à nossa saúde mental, tornando-se cada vez mais virtuais.

O uso de drogas, cada vez mais sintéticas, somado às bebidas da moda, também vem aumentando, e este pode ser o estopim para um surto, pois não se conhece a genética de cada um e as drogas agem exatamente no sistema nervoso central podendo “acordar o gene adormecido”.

É preciso que cada vez mais informações sejam divulgadas, discutidas, inclusive dentro das escolas e postos de saúde, para que se identifique de forma mais precoce e a ajuda profissional seja buscada o quanto antes. Afinal, a vida não é tão “cor de rosa” quanto vemos nas redes sociais e rir demais é desespero.