
É muito comum ouvirmos que os avós “estragam” os netos pois são muito permissivos. Mas, tornar-se avós é uma experiência única, tão ou mais marcante do que a própria maternidade. Tanto que, dizem os avós, que o amor é o mesmo para com um filho, com a diferença de que não têm a responsabilidade pela sua educação. Isso mesmo: o papel de educador é dos pais.
Por esse motivo, a relação avós e netos chega a ser mais gratificante do que entre pais e filhos, porque o afeto fica menos comprometido já que não existem obrigações com a educação. Isso não quer dizer que os avós devam abrir mão de educar seus netos. Eles podem opinar, com sua experiência de vida, desde que não tentem impor suas ideias.
Os avós podem orientar, compartilhar suas experiências, atuar como apoio na hora em que surge uma dúvida ou decisão difícil e também agir como questionadores que levam seus filhos a refletirem sobre a educação dada às crianças. No entanto, é importante salientar que a educação é tarefa dos pais. Os avós não devem se esquecer de que já criaram seus filhos da forma como acreditavam ser a melhor, agora é a vez dos seus filhos replicarem essa experiência, do jeito deles. O fato de aprender a cuidar de uma criança envolve acertos e também erros.
É natural que as avós (mães e sogras) queiram dar conselhos sobre a educação netos. A questão é a maneira de criar muda muito de uma geração para outra e as divergências podem gerar conflitos. É importante que manifestem suas opiniões, mas é também importante que percebam as reações aos seus comentários, pois muitas vezes os filhos, noras e genros ficam temerosos de dizerem que não concordam. Se perceberem que a reação não foi favorável, o melhor é calar, a não ser numa situação extrema em que a criança esteja sendo prejudicada.
Para colaborar, os avós devem adaptar-se ao máximo aos métodos adotados pelos pais.
O ponto mais comum de conflitos envolve as vontades e os mimos feitos pelos avós. Não é necessário ser radical. Os avós podem sim satisfazer algumas das vontades, mas usando o bom senso, ou seja: nem tudo e nem sempre.
Hoje em dia as crianças já encontram muitas dificuldades com os nãos e com os limites, então a colaboração dos avós é fundamental. Se eles não colaboram, a cabeça das crianças fica confusa. Deve sempre haver coerência entre pais e avós.
Muitas vezes, também, os pais usam os avós como “bode expiatório” e os culpam pela falta de educação de seus filhos ou por não lhes ter preparado bem para o papel de pais. Principalmente genros e noras criticam muito os sogros. Como lidar com esse tipo de situação?
Ao bater de frente o conflito só irá piorar. É preciso entender toda a dinâmica por trás disso: há duas criações diferentes em jogo. E os avós precisam de muita paciência e saúde mental para tentar serem imparciais no sentido de não tentar defender o filho (a) e o neto (a) em detrimento do genro/nora.
Pais e avós podem e devem ser complementares na educação das crianças, pois aos pais, atualmente, falta tempo e os avós podem transmitir valores, a cultura familiar já que (ao menos teoricamente) dispõem de mais tempo e disposição para ouvir a criança.
Portanto, os avós tem papel complementar na educação dos netos.