Publicado em: 14 de setembro de 2025

Na última década, uma queixa muito comum nas clínicas e escolas diz respeito sobre a agitação das crianças. A agitação psicomotora chega a ser tanta que atrapalha a interação social, a aprendizagem e, muitas vezes, até a aquisição das habilidades de vida diária.
Na última década, uma queixa muito comum nas clínicas e escolas diz respeito sobre a agitação das crianças. A agitação psicomotora chega a ser tanta que atrapalha a interação social, a aprendizagem e, muitas vezes, até a aquisição das habilidades de vida diária.

Na última década, uma queixa muito comum nas clínicas e escolas diz respeito sobre a agitação das crianças. A agitação psicomotora chega a ser tanta que atrapalha a interação social, a aprendizagem e, muitas vezes, até a aquisição das habilidades de vida diária.

Mas, por que será que essa queixa vem aumentando tanto nos últimos anos? Tenho observado, na minha convivência com crianças e adolescentes, pais e escolas, uma série de fatores que contribuem para isso.

Em primeiro lugar, nossa vida está mais agitada, mais corrida, mais competitiva. Devemos ser os melhores e ter os melhores filhos. Para isso, somos incentivados a matricular nossos filhos em cursos e mais cursos: inglês, soroban, japonês, programação de computador, entre outras tantas opções. Os esportes, sim eles ainda existem e diria que ajudam muito no controle dessa agitação, desenvolvem a disciplina, a coordenação … mas, hoje em dia, as crianças precisam ser as melhores na modalidade esportiva escolhida, precisam participar de campeonatos e apresentações. Não tem mais muito tempo de ser crianças. As crianças tem agendas de executivos, mas seu sistema neurológico continua sendo de criança, continua tendo a necessidade de brincar e de ter tempo livre.

Os dias letivos aumentaram, mas a vida escolar também está mais corrida. As crianças têm que produzir, tem que seguir rapidamente o conteúdo senão ficam para trás. Não há tempo a perder. A vida acadêmica valoriza apenas alguns tipos de inteligência, abandonando a criatividade, a solução de problemas cotidianos.

A cidade está mais perigosa, as crianças agora vivem dentro de apartamentos e seus brinquedos, são, grande parte das vezes, eletrônicos, brincam sozinhos. A criança continua tendo muita energia, mas não tem como gastá-la de forma apropriada.

O cérebro, embora siga um ritmo de desenvolvimento mais ou menos constante e gradual, não se desenvolve mais da mesma forma que antes, pois os estímulos são muito diferentes. O ritmo dos eletrônicos, do youtube, é frenético, estimulam muito o cérebro infantil.

Pais trabalham cada vez mais para sustentar tudo isso, o que vem acompanhado de grande culpa. E essa culpa se transforma em permissividade excessiva. As crianças não toleram frustração, não sabem esperar, querem tudo de imediato.

E, a tolerância dos adultos com o que seria o comportamento normal das crianças de correr, pular, falar muito, brincar, chamar a atenção está muito diminuída.

Problema colocado. O que fazer diante disso?

– Rotina, com direito a tempo livre para brincar, só brincar;

– Técnicas de relaxamento, mindfulness, respiração, yoga ajudam a acalmar a mente;

– Menos eletrônicos e mais contato com a natureza;

– Menos cobrança e mais participação dos pais nas horas de brincadeiras;

– Mais piqueniques com amigos, mais passeios de bicicleta, mais brincadeiras de faz de conta e menos vídeo game, celular, televisão e computador;

– Esportes pelo prazer dos esportes e não pela competição.